segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ter Xoxota é mais rentável do que ter pica.


Frase do fantástico Charles Bukowski.
Nunca foi tão verdadeira como agora. Mandei este cartum para o salão Carioca. Fui desclassificado e o Cartunista Hemetério do Ceará levou o primeiro prêmio em cartum. Não é uma reclamação, mas uma constatação, tornando verdadeiríssima a frase do Buck.
Um brinde ao Hemetério com sua xoxota mulçumana.


Emman

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Betinho

Essa caricatura do Betinho foi considerada Hors concurs no V Festival Internacional de Quadrinhos e Humor de Recife. Os jurados consideraram uma escultura e desclassificaram. Mas a qualidade do trabalhos fez com que Lailson fizesse essa mensão especial e a colocou na exposição. Contestei os jurados e considerei que as novas técnicas deveriam ser consideradas e sugeri uma revisão no regulamento do salão. O Lailson considerou minha observação e abriu o salão para novas técnicas. No ano seguinte, um pano de Júnior Lopes venceu o salão, que se continuasse a seguir o mesmo regulamento teria o trabalho desclassificado. ~Democraticamente temos o direito de nos posicionar diante dos jurados e contestar muitos resultados. Tudo em nome do bom humor
Paulo Emman

terça-feira, 3 de junho de 2008

Alembão


Alembão.
Só tinha uma foto de Alembão.
Era o único registro deste lugar que foi varrido do mapa. No ano em que caiu no esquecimento também, já que o povo também desapareceu. Alembão ficava no litoral e era uma comunidade pequena , mas bem estruturada. tinha cerca de 500 habitantes. Era uma sociedade organizada.
Tinha prefeito e Câmara de Lordes Alembanenses. Era localizada num litoral mas ninguém sabe dizer exatamente onde .
Sei que o povo se vestia como se vivesse no século XIX. Apesar se saber que já ia pro final do século XX.
Por ser uma comunidade isolada eles se organizaram e passaram a ser auto-suficientes em tudo, e em determinado momento não precisavam de nenhum apoio externo para sobreviver.
Era um povo muito tranquilo e orgulhoso de sua cidade que tinha a aparência daquelas cidades européias do final da idade média. Com casinhas tipo choupana com lareira e tudo, que nunca era usada por causa dos 30 graus diários. Mas eles achavam bonitinho ter lareira.
Quando desapareceu a cidade estava prestes a comemorar o dia do Santo Alembão, padroeiro da cidade.
Quem era este santo??? Ninguém sabia.
Mas era sabido que comemorava-se em fevereiro no dia do carnaval.
Eles comemoravam o carnaval em fevereiro, mas não por causa do calendário oficial. Pois nem se sabe se Alembão ficava no Brasil, mas por que São Alembão nasceu no dia 28 de fevereiro e viveu até os 5 anos de idade quando morreu de catapora.
Era uma menino muito danado. Mas tinha uma carinha incrivelmente cativante. Quando fazia uma traquinagem ele logo fazia aquela carinha de santo.
E como ficou conhecido pela sua carinha de santo, o povo logo o identificou como santo quando uma forte catapora o pegou aos 5 anos de idade.
Na verdade o povo de Alembão não possuia ídolos, nem mártires e nem nada e quando o menino morreu o conselho municipal se reuniu e resolveu adotar o menino como santo e mudar o nome da cidade para Alembão. Já que o nome anterior era muito feio e pegava mal pra população ser conhecido por esse tal nome que também foi esquecido por decreto municipal. Era passível de pena de morte quem um dia lembrasse ou pronunciasse o nome feio anterior da cidade que a partir daquele momento se chamaria Alembão em homenagem a Santo Alembão, e ponto final, tenho dito.
Dito isso, a organizada sociedade Alembanense tratou dos preparativos para a festividade comemorativa do Dia de São Alembão. Apesar de que o menino nunca havia feito milagre algum, todos faziam filas, oravam e acendiam velas no túmulo que ficava no pequeno cemitério da cidade, que só possuia três túmulos. A jovem cidade Alembanesa não contava com muitos túmulos. Um era um jazigo perpétuo vazio. Outro, de um cachorro muito bem quisto pelos habitantes e o outro do São Alembão. Na lápide o menino aparecia exatamente com aquela carinha de santo que fazia pra fugir das surras. Como o povo assimilou bem a santidade da peste, todos até derramavam lágrimas ao olhar a foto do menino-peste, agora transformado em santo por decreto municipal diga-se de passagem.
Pois bem. A festa de São Alembão começava com um procissão saida da Igrejinha que ficava na única praça da cidade. O Cortejo começava com o padre à frente segurando um brinquedo muito usado pelo moleque que era um passarinho de madeira na ponta de um bastão. As senhoras alembanesas iam dando um chazinho muito conhecido na cidade que era levado numa bilha de barro e dado num caneco de alumínio pra toda população.
Lá pelas tantas todo mundo estava entorpecido e a população alambanesa acabava a procissão num grande carnaval e depois todos rolavam uma grande suruba a céu aberto. Era uma coisa bonita de se ver. A festa durava três dias.
Mas depois de todos recuperados da farra não se lembravam do que havia acontecido porque a ressaca da bebida provocava uma amnésia coletiva e assim ninguém enchia o saco de ninguém. Amém.
A seguir...

Como Alembão foi pro saco.


Isso já acontecia há 15 anos.
Até que certo dia chegou um vidente e disse que a cidade ia se desgraçar se o povo não parasse de fazer festa mundana prum santo que não existia. Ninguém entendeu nada, porque ninguém se lembrava de nada. Muito menos lembrava que o São Alembão foi um Santo inventado, tal era a catarse criada pelo alucinógeno.
Mas essa premonição foi resolvida com uma pedra no pé jogada no rio.
E assim se passaram vários carnavais até que um dia uma grossa nuvem negra pairou sobre Alembão. O povo ficou assustado porque ela estacionou e durante 30 dias não saiu dali.
Eles arrumando a festa e a cidade naquela escuridão. Não havia mais dia em Alembão. Virou uma noite eterna. As lamparinas viravam dia e noite.
O Prefeito e os Lordes Alambaenses se reuniram e decretaram que a coisa tava preta.
Mas o carnaval tinha virado vício e foi difícil dizer ao povo que não ia ter naquele ano. Decidiram, então, contrariar as previsões e fazer o carnaval mundano.
Estava tudo pronto e na hora em que ia começar o furdúncio, nos primeiros acordes da suruba, a grossa nuvem negra desceu sobre a cidade varrendo Alembão do mapa.
A foto da frente da cidade foi tirada minutos antes de acontecer tal tragédia.
Depois, nunca mais ninguém ouviu falar ou soube alguma coisa sobre cidade.
Apenas que tinha uma lenda ou coisa parecida de uma cidade que foi engolida por uma nuvem, mas isso acabou parecendo maluquice e ninguém quis afirmar tal invencionice.
E ficou por isso mesmo. E ponto final.

Paulo Emmanuel


Macarrão



Fiz este cartum por volta de 1990. Achei uma cópia xerox e restaurei em photoshop. Muito macarrão.


Emman